BIOPOLÍTICA E LITERATURA: CORPOS INDÍGENAS, MESTIÇOS E (IN)DÓCEIS EM ROMANCES DE NEN MACAGGI.Ê
Neste espaço não encontrarás respostas prontas e acabadas, 'politicamente correta'; terás, sim, a possibilidade de acolhimento daquilo que me é singular.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
domingo, 28 de junho de 2020
PERIÓDICOS QUALIS A1 - 2020
Revista da ABRALIN (Curitiba)
Alfa : Revista de Linguística (UNESP. São José do Rio Preto. Online)
Cadernos de Estudos Linguísticos (UNICAMP)
DELTA. Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada (Online)
Língua e Instrumentos Linguísticos
Revista Brasileira de Linguística Aplicada (Impresso)
Revista da ANPOLL (Online)
Revista de Estudos da Linguagem
Trabalhos em Linguística Aplicada (UNICAMP)
(http://www.iel.unicamp.br/publicacoes/revista_tla.php)
Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso. (PUC/SP)
Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso. (PUC/SP)
(http://revistas.pucsp.br/index.php/bakhtiniana)
Ilha do Desterro (UFSC)
Ilha do Desterro (UFSC)
(http://www.ilhadodesterro.ufsc.br/)
Letras de Hoje (Online) (PUC/RS)
Letras de Hoje (Online) (PUC/RS)
PERIÓDICOS QUALIS A2
Calidoscópio (UNISINOS)
Discurso ( Departamento de Filosofia da USP)
Letras (UFSM)
Linguagem & Ensino (UCPEL)
MOARA (UFPA)
Revista de Letras (UNESP)
Revista do GEL (GEL)
Revista do GELNE (GELNE)
Veredas (UFJF)
PERIÓDICOS QUALIS B1
Caderno de Letras (UFRJ)
Caderno de Letras (UFF)
Conexão Letras
Estudos da Lingua(gem) (Impresso e Online)
Estudos Linguísticos (Lisboa)
Fórum Linguístico (online e impresso)
Fragmentos
Intercâmbio (PUC- SP)
Intersecções
Investigações (online e impresso)
Letras & Letras (online e impresso)
Língua Escrita
Línguas & Letras
Linguística (Rio de Janeiro)
Polifonia (UFMT)
Revista Signos
(http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_serial&pid=0718-0934&lng=pt)
Diadorim (Rio de Janeiro)
CASA (Araraquara)
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
O CORPO MATÁVEL EM QUATRO ROMANCES DE NENÊ MACAGGI
MsC. Huarley Mateus do Vale Monteiro (UERR)
Os estudos pós-coloniais, que seguem a linhagem de G. Agamben, é possível abordar o corpo como um dos desdobramentos da biopolítica na configuração histórica da sociedade ocidental. As tensões geradas a partir dessa categoria apontam rastros de elementos históricos. Partindo dessa linha de entendimento os romances de Nenê Macaggi (A mulher do Garimpo: o romance no extremo sertão do amazonas (1976/2012), Dadá Gemada, Doçura amargura: romance do fazendeiro de Roraima (1980), Exaltação ao verde (1984), Nara-Sue Uarená: o romance dos Xamatautheres do Parima (1988)) trariam apontamentos do que G. Agamben considera como ‘vida matável’. Assim, busco indícios de como esta categoria potencializa entendimentos de corpos (in)dóceis enquanto elementos de resistência. É a partir da materialidade literária que configuramos os alinhaves metodológicos que ganham sustentação pontualmente em G. Agamben (2002, 2017) e Sarmento-Pantoja (2009, 2011, 2012, 2013, 2014); mas que traz ressonâncias dos escritos de M. Foucault (1977, 1979, 1986) e R. Esposito (2011).
(IV JORNADADE ESTUDOS DE LITERATURA DE RESISTÊNCIA (UFPA-ABAETETUBA (04 a 08/12/2017))
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Linda Hutchceon
Poética do pós-modernismo: história, teoria, ficção, Linda Hutcheon

Sobre o Pós-Modernismo
Definição
Linda Hutcheon define a pós-modernidade como uma “metaficção historiográfica”, que teria características peculiares, tais como:
* Auto-referencialidade
* Paródia histórica
* Ausência de dialética
* Descontinuidade
* Desmembramento
* Deslocamento
* Descentralização
* Indeterminação
* Antitotalização
Origem
Arquitetura
* As contradições entre o auto-reflexivo e o histórico já apareciam em Shakespeare e Cervantes, mas o pós-modernismo acrescentou-lhes uma constante ironia.
1. A problematização da História pelo pós-modernismo
O pós-moderno não é anistórico, nem desistoricizado, mas questiona os nossos pressupostos sobre o conhecimento histórico.
– Hayden White, Paul Weyne, Michel de Certeau, Dominick Lacapra, Louis Minck, Frederick Jameson, Lionel Gossmann e Edward Said estudam as relações entre o discurso histórico e o discurso literário da mesma forma que a ficção pós-moderna (a metaficção historiográfica) o faz, através de:
* problematização da forma narrativa
* intertextualidade
* estratégias de representação (mímese)
* funções da linguagem
* relações entre o fato histórico e o acontecimento empírico.
* conseqüências epistemológicas e ontológicas do ato de tornar problemático o que antes era aceito pela história e pela literatura como certeza.
2. Diferenças entre modernismo e pós-modernismo
* O pós-modernismo subverte as convenções realistas através da ironização constante, mas não as rejeita, como o modernismo. A problematização substitui a demolição.
* O pós-modernismo desafia o pressuposto humanista de um eu unificado e de uma consciência integrada.
* O pós-modernismo contesta a noção de originalidade e de autoridade autoral.
* O pós-modernismo não separa estético de político.
Estes paradoxos do movimento o conduzem à ambidestria política: tanto pode ser considerado neoconservador nostálgico e reacionário quanto radicalmente demolidor.
Assim, apesar de seu tom apocalíptico, o pós-modernismo não é uma mudança utópica radical, não propõe nenhuma ruptura. É apenas a cultura desfiando a si mesma de seu próprio interior: desafiada, questionada ou contestada, mas não implodida.
HUTCHEON, L. Poética do pós-modernismo: história, teoria, ficção. Trad. R. Cruz.
Rio de Janeiro: Imago, 1991.
POSTADO POR PAULO FERNANDO MONTEIRO FERRAZ ÀS 07:17
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
CARIMBÓ COMO ATO DE RESISTÊNCIA
‘Alto
Rio Marapanim’
Grupo de Carimbó ‘Tangará da Serra’
Programação
‘Grupo de Carimbó Tangará
da Serra’ / 2017-2018
26/12/2017 – Levantação
do Mastro a São Benedito com Roda de Carimbó a partir das 16h da tarde na
sede recreativa do Club Independência.
27/12/2017 – Reunião do
Grupo de Carimbó Tangará da Serra.
31/12/2017 – Jogo de
futebol entre solteiros e casados (16h).
#
confraternização universal.
04/01/2018 – Oficina de Carimbó
com Músicos do Grupo Tangará da Serra (08h da manhã; local: Sede do Clube
de Futebol Independência). .
– Oficina de
confecção de abanos e paneiros. (Ministrantes: Mestre Cesar e Mestre
Vareca, às 14h da tarde; local: Sede do Clube de Futebol Independência).
- Oficina de confecção de brinquedos feitos
com palhas de inajá (Ministrantes: Tia Jóvi e Tia Mariínha; inicio: 16h;
local: Sede do Clube de Futebol independência)
- Celebração
ecumênica a partir das 19h na igreja da comunidade (Mestre Diego Lobo e
Mestre Reinaldo do Vale).
05/01/2018 – Reunião dos
Cantadores da Folia de Reis (preparativos para a esmolação) as 18h (casa da
Mestra Vitalina) e Palestra:
‘Carimbó: História e Resistência na região do Alto Rio Marapanim-Pa’,
ministrantre Huarley Mateus do Vale Monteiro.
# Folia de Reis.
06/01/2018 – Festa
dançante.
07/01/2018 – Domingueira
de Carimbó e Derrubação do Mastro. (início a partir das 10h da manhã).
Obs.: As inscrições para participação nas oficinas serão
feitas no local, momentos antes do início das mesmas.
A coordenação,
_______________________
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
CARTA ABERTA À UNESCO EM DEFESA DA PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL E DOS FAZEDORES DE CULTURA ALIMENTAR E AGROECOLOGIA NO ENCONTRO MUNDIAL DAS CIDADES CRIATIVAS
A conservação das práticas culturais alimentares e agroecológicas, somadas ao
respeito à diversidade cultural e aos conhecimentos de mestras e mestres guardiões das
culturas populares e tradicionais, se apresentam como salvaguarda da vida neste marco
histórico da destruição dos ecossistemas e direitos.
E nós – fazedores de cultura alimentar, produtores agroecológicos, cozinheiros,
artistas populares, camponeses, pesquisadores, e representantes de organizações, coletivos e
movimentos sociais, defensores dos direitos humanos, direitos ambientais, direitos à terra, à
cidadania, à cidade, à cultura e soberania alimentar, à acessibilidade, às tecnologias e mídias
digitais, à comunicação livre e comunitária, dos direitos de povos indígenas, quilombolas e
povos e comunidades tradicionais, contra os agrotóxicos e transgênicos – fazemos um apelo
ao mundo e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO) – entidade reunida na Cidade de Belém/PA, junto à Rede Mundial das Cidades
Criativas – para que juntos possamos garantir e implementar as políticas públicas e ações
integradas construídas com a participação da sociedade civil organizada e representada
legitimamente por povos indígenas, povos tradicionais, povos de matriz africana, povos
imigrantes, povos de fronteiras, povos periféricos e demais grupos culturais.
Pois, vimos se multiplicar no país ações de exceção, de cerceamento e desqualificação
da criatividade e largos esforços em negar direitos. E então perguntamos: “Por que nós –
movimentos sociais e redes de pequenos agricultores, fazedores de cultura alimentar e
agroecologia – fomos apartados da construção dessa reunião internacional das Cidades
Criativas da Gastronomia, a ser realizada na Amazônia, se somos nós que alimentamos a
Amazônia com mais de 70% da produção de alimentos desde os guardiões de sementes? Por
quê? Até mesmo a Rede ODS Brasil – a qual integramos ou nos relacionamos para alcançar
os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU – teve sua participação negada? Quais
os critérios de representação?”
Ainda no primeiro semestre de 2017, ao tomarmos conhecimento do evento Encontro
Mundial das Cidades Criativas – a ser promovido pela Prefeitura de Belém e UNESCO, de 07
a 11 de novembro – buscamos informações junto à Prefeitura, sem sucesso. De nossa parte,
sempre nos disponibilizamos para o mais aberto diálogo e mobilização das redes. Fazer e
apresentar nossas culturas e cultivares nos traz felicidade!
Pelos noticiários, nos deparamos com impostas representatividades apartadas do fazer
cultural. Recorremos à Convenção para a Proteção e Promoção das Salvaguardas das
Expressões Culturais, que define "Interculturalidade" como a existência e interação equitativa
de diversas culturas, assim como à possibilidade de geração de expressões culturais
compartilhadas por meio do diálogo e respeito mútuo (Art. 8°).
Preocupa-nos esta distância e a acentuada oposição com a Agenda 2030 e demais
Protocolos da Organização das Nações Unidas e sua agência UNESCO.
Estranha-nos este “esquecimento” durante um evento dessa magnitude, em um estado
que sofre acelerada perda de seu patrimônio cultural e diversidade biológica, e figura entre os
piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH); onde a soberania alimentar, antes garantida
pelo consumo dos produtos da floresta e da agricultura camponesa, hoje vê a biodiversidade
se tornar monocultivo e sofre pela precoce morte de seus povos tradicionais invadidos por
medidas compensatórias e o imperialismo do gosto industrial, entre outras questões que violam
diretamente os Protocolos, Convenções e Tratados Internacionais.
O extermínio da cultura alimentar é prenúncio da morte de um povo. Nem a Amazônia,
nem o Brasil se alimentam das commodities suicidas que distribuem o recorde mundial de
consumo de agrotóxicos desde 2009, concentrando terra e renda; bem como contribuindo para
recordes de assassinatos de camponeses e mortes de ativistas, alarmantes índices de trabalho
escravo e tráfico humano, biopirataria desenfreada, precarização da educação e dos serviços
básicos, gentrificação, desterritorialização, e o avassalador preconceito ao alimento originário
das roças e matas, em detrimento ao que o Hemisfério Norte descartou à América Latina.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pela primeira vez na história, a
atual e futura geração viverá menos que a anterior. Assusta-nos saber que a mortalidade
infantil por doenças crônicas não transmissíveis como a obesidade, as doenças cardíacas e
diabetes têm índices epidêmicos devido aos maus hábitos de consumo promovidos ferozmente
pelos impérios agroalimentares.
Vivemos em uma sociedade que produz sementes que não brotam, que criminaliza
alimentos artesanais sadios, que flexibiliza leis sobre agrotóxicos e transgênicos, que provoca
a contaminação do leite materno por exposição a venenos agrícolas banidos na Europa e
subsidiados no Brasil.
A valorização gastronômica seletiva e a subalternização do conhecimento ancestral
carregam demasiado preconceito, pois muitas vezes seus guardiões são induzidos a acreditar
que o que comem é “imundície”, “coisa do mato”, “fruta besta”... e quando chega a apropriação
gastronômica para trocar patrimônio genético por “espelho”, o que se chamava “imundície”
passa a ser biodiversidade na mão das corporações e seus garotos propagandas, para fazer
Greenwashing, a lavagem verde do dinheiro.
É preciso garantir também o direito à cidade, além do acesso aos espaços e
equipamentos públicos, na autonomia de pensar e transformar o espaço urbano quanto local
de diversidade, encontros e trocas. Lutamos contra a especulação imobiliária; lutamos pela
valorização das culturas de periferias; pelo respeito à diversidade de povos na zona urbana;
pela água, pela preservação do patrimônio e das áreas verdes.
O Brasil viu nestes últimos anos emergir potentes movimentos em defesa da
alimentação com importantes avanços, entre eles, o caminhar para a saída do Mapa da Fome,
o Programas de Aquisição de Alimentos (PAA), o fortalecimento do Conselho Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), e do Colegiado Setorial de Cultura Alimentar -
CNPC/MINC. Todos com destacadas lideranças femininas.
Considerando que a Convenção Nº 169, da Organização Internacional do Trabalho
(OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais entrou em vigor no Brasil em 25 de julho de 2003;
Considerando que o Decreto Nº 6.040/2007, define os povos e comunidades
tradicionais como grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais;
Considerando o Tratado Internacional dos Recursos Fitogenéticos para a
Alimentação e Agricultura/FAO (TIRFAA), promulgado pelo Decreto N° 6.476/2008;
Considerando que, atualmente, são estabelecidos diálogos intersetoriais com o
CONSEA que reconhece a Cultura Alimentar como salvaguarda para Soberania e Segurança
Alimentar e Nutricional, com base na Lei Nº 11.346/2006;
Considerando que a cultura alimentar passa a compor as metas nacionais 2010-2020
das Metas de Aichi (5-13) como salvaguarda para a proteção e promoção da
sociobiodiversidade brasileira; e redução do impacto das mudanças climáticas;
Considerando a Convenção da Salvaguarda para o Patrimônio Cultural Imaterial,
Artigo 2º, parágrafo 2, sobre a particularidade da manifestação e sua definição;
Deste modo, compreendemos que são fazedores de cultura alimentar, cozinheiras e
cozinheiros tradicionais, agricultores tradicionais, construtores tradicionais, mestres de
navegação, tecedoras, ceramistas e demais artesãos, pajés, griôs, mestres de saberes da
terra, mestres de curas, guardiães de sementes, costureiras, carimbozeiros, mestres da
cultura popular, e demais fazedores, assim como agricultores, cozinheiros, gastrônomos,
culinaristas e nutricionistas em seus fazeres cotidianos e inovadores desde que relativos à
cultura.
Considerando os direitos, e que a cultura alimentar e a agroecologia são segmentos em
exponencial crescimento econômico e avanços científicos;
Reivindicamos garantias ao direito à consulta prévia, ampla e informada, pois Acordos
Internacionais e Cooperações serão firmados e desconhecemos os teores.
Propomos diálogo estreito e propositivo junto às autoridades competentes e secretarias;
e a composição por movimentos e representações da sociedade civil organizada no Comitê
Cidade Criativa;
Reivindicamos políticas públicas e garantias de fomento compatíveis com a realidade
local para imediata criação e viabilização operacional de comissões de salvaguarda do
patrimônio cultural e bens associados; e de comissões para a salvaguarda das expressões
culturais, conhecimento tradicional e patrimônio genético;
Reivindicamos a implementação e operação das políticas públicas específicas para
cultura alimentar, agroecologia e produção orgânica.
Reivindicamos com base na apresentação da cultura originária marajoara representada
oficialmente pelo Comitê da Cidade Criativa de Belém, em Denia/Espanha, a construção de
protocolo para o banimento do uso de agrotóxicos e proteção da cultura alimentar na Área de
Proteção Ambiental do Marajó (APA Marajó), com garantias de fomento e imediata
operacionalização para salvaguardar os sítios arqueológicos marajoaras;
Reivindicamos a descriminalização das produções artesanais culturais;
Reivindicamos políticas para a mulher, respeitada como guardiã da cultura e
sociobiodivesidade;
Reivindicamos a evolução do insustentável modelo desenvolvimentista para a proposta
de Bem Viver!
Queremos o Direito Humano à Alimentação Adequada, o comércio justo, condições de
trabalho, justiça social, democracia alimentar, e a conservação ambiental.
Torcemos para que a Rede das Cidades Criativas da Gastronomia compreenda que
para a cidade comer, o campo precisa plantar, a floresta precisa colher, a água estar limpa
para o peixe nascer. Sem mestre, o Chef não cozinha. Sem guardiões e guardiãs de culturas
populares e tradicionais, não há sementes, não há curas, nem nascentes. Cozinha Criativa é
a que valoriza a Cultura Viva!
Queremos nossas florestas, povos e juventudes vivas! Queremos nossos quintais
alimentares! Queremos hortas urbanas e sementes crioulas!
Queremos ver pousar sobre as antigas árvores os velhos pássaros semeadores, para
alimentar campos e cidades de esperança, paz e cultura.
Belém, 06 de novembro de 2017.
Assinam esta carta: ANA Amazônia – Articulação Nacional de Agroecologia
Campanha Carimbó Patrimônio Cultural
Comitê Paraense da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida
Eliana Bogea – Advogada, Professora e Ativista Cultural
Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educação (FASE)
Fundo DEMA
Grupo para Consumo Agroecológico (GRUCA)
Instituto EcoVida
Laboratório Global de Justiça Socioambiental (LAJUSA / UFPA)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Ponto de Cultura Alimentar Iacitatá
Rede ODS Brasil
Sítio Pajuçara
Slow Food Amazônia
Tarcísio Feitosa – Prêmio Goldman Prize
Tatiana Sá – Pesquisadora e Professora em Agroecologia
Huarley Mateus do Vale Monteiro - UERR-UFPA/PPGL
Belém, 06 de novembro de 2017.
Assinam esta carta: ANA Amazônia – Articulação Nacional de Agroecologia
Campanha Carimbó Patrimônio Cultural
Comitê Paraense da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida
Eliana Bogea – Advogada, Professora e Ativista Cultural
Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educação (FASE)
Fundo DEMA
Grupo para Consumo Agroecológico (GRUCA)
Instituto EcoVida
Laboratório Global de Justiça Socioambiental (LAJUSA / UFPA)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Ponto de Cultura Alimentar Iacitatá
Rede ODS Brasil
Sítio Pajuçara
Slow Food Amazônia
Tarcísio Feitosa – Prêmio Goldman Prize
Tatiana Sá – Pesquisadora e Professora em Agroecologia
Huarley Mateus do Vale Monteiro - UERR-UFPA/PPGL
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
‘Mestre Camilo do Vale’: o carimbó em ré menor
“Eu
canto este carimbó
Na
cantiga de um velho-menino
Maninho
eu não canto só
Canto
versos do velho Camilo”
(Huarley
Vale-Monteiro)
Fazem
três meses de tua partida. Não vemos mais teu sorriso moleque, tua alegria nas
piadas contadas. Também sentimos falta até de tua teimosia; mas cumpriste teu
papel. Deixastes para nós o legado de uma história não contada nos livros de
história que circulam nas escolas. Contaste a história de nossa gente através
da música, do ritmo, das toadas, de tuas anedotas e causos, como só você sabia
co/antar.
“velho-menino” é assim que compartilho
minha convivência contigo e é dessa maneira que lembramos de sua passagem entre
nós. E para que saibam de tua contribuição para as futuras gerações de nossa
comunidade, este texto abordará alguns acontecimentos de tua trajetória de
vida.
A
trajetória de ‘Tio Camilo’, como era conhecido na comunidade de Cristolândia,
confunde-se com a história da família Vale na região do Alto Rio Marapanim-Pa e
com a própria história do Carimbó neste município.
Aos
29 de dezembro de 1919 nasce Camilo Alves do Vale, filho de Joaquina Coelho e Manoel
Monteiro, produtores rurais, moradores da então comunidade do Sêco-Marapanim/Pa
que depois de um certo tempo veio a se chamar Cristolândia. Contou-me ele, que
ali viveu e iniciou, ainda na infância sua atividade artística. Pai de sete
(07) filhos: José Maria, Maria da Conceição, Alberto, Fernando, Maria do
Socorro, Haroldo e Raimundo Nonato Alves do Vale.
Quando
criança acompanhava os pais frequentadores do Carimbó da ‘Tia Tereza’, antigo
terreiro de carimbó de Cristolândia que reunia pessoas de diferentes
localidades para as festas em louvor a São Benedito. Cresceu vivenciando as batidas
de Carimbó das mãos Raimundo Gaia e Romão de Barros, o som da viola de Matias
do Vale e o milheiro tocado por Tio Pirico. Quando os tocadores do Carimbó da
Tia Tereza davam uma pausa, ele e as outras crianças pegavam os instrumentos e
brincavam de ser cantadores de Carimbó.
Assim
Camilo cresceu e seus colegas de infância assumiram, junto com ele, o autêntico
Carimbó de tambor de chão que experimentavam nas brincadeiras de crianças. Além
de Tio Camilo, que veio a se tornar o Mestre de Carimbó do terreiro da Tia
Tereza, também eram dessa época, os batedores de tambor, Raimundo Vale
(Raimundo Moquia), Antônio Vale (Saburete) e o violeiro João do Vale (João
Parú). Todos eles cresceram ouvindo e frequentando o Carimbó da Tia Tereza e,
graças a ela, e aos que com ela conviveram, o Carimbó permanece vivo em
Cristolândia.
Conforme
o que Camilo falava e as pessoas mais idosas da comunidade confirmam que
naquela época não havia instrumentos de sopro, os outros instrumentos eram
todos confeccionados artesanalmente pelos próprios músicos. Afirmam ainda que, naquela
época não havia conjuntos de carimbó, o que existia eram apenas tocadores e
cantadores de Carimbó que se reuniam para festejar e compartilhar suas alegrias
ou devoções. Assim, as músicas que surgiam retratavam as relações cotidianas do
convívio com a natureza, nas atividades de trabalho, nos desconsolos e
angústias da vida, tanto como nos gracejos das paixões que surgiam. E desse
convívio muitos namoros e posterior casamentos surgiam.
A
exemplo disso era o carimbó organizado por Tia Tereza. O idosos da comunidade,
assim como Tio Camilo contava, dizem que ele iniciava no mês de novembro,
quando os ensaios aconteciam. Levantava-se o mastro em louvor a São Benedito em
26 de Dezembro e durante dez dias o Carimbó acontecia sem parar; até que no dia
seis de janeiro era derrubado o mastro e encerrava-se o período de Carimbó. Apesar
da festa ganhar força a partir de novembro, Tia Tereza passava o ano todo se
organizando para a festa: criava boi, porcos, galinhas e patos, tudo para
servir de alimento para as pessoas durante as festas de carimbó do Santo Preto.
Com
o passar dos anos, em respeito a Tia Tereza, a festa só iniciava depois que ela
dançasse a primeira música. O ritual consistia da seguinte maneira: ela
acompanhava todos os preparativos sentada no seu banco no canto do salão,
quando já estava tudo pronto, os cantadores começavam a cantar a música feita
para ela. Ela, por sua vez, já sabendo do procedimento, pegava seu bastão, levantava-se
e começava a dança pelo salão convidando todos e todas para virem participar de
mais um ano de festejos. A música cantada para ela, bem retrata esse momento:
“Um
bando de porco saiu na praia
A
velha do cacete com a mão na saia
Com
a mão na saia.
Com
a mão na saia.
A
velha do cacete com a mão na saia.”
Tia
Tereza faleceu a mais de sessenta anos com 115 anos de idade, deixando uma
herança cultural importante para as novas gerações.
Grande
parte desse legado foi herdado por Camilo e, segundo o que ele me contou, sua produção
artística teve início aos dez anos de idade; mais precisamente em 1929, quando convidado
por Mestre Enoque do Vale, integrou o Cordão
de Pássaro ‘O Periquito’. De lá
pra cá não parou mais de compor e participar de brincadeiras de Bichos e
Pássaros. A exemplo disso são: O Tucunaré, A Tilápia, O Surubim, O Papagaio, O
Caranguejo e tantos outros que participou e ajudou a compor.
Além
dessas brincadeiras foi ele o idealizador e compositor das toadas do Boi-bumbá
Misterioso. Foi ainda o criador e Mestre do Conjunto de Carimbó ABC
(Cristolândia) e Beija-flôr (Jarandeua). Em 2010 ajudou a resgatar o Carimbó em
Cristolândia e junto com Huarley Mateus do Vale Monteiro, Manoel do Vale
Monteiro (Manduca), Vitalina do Vale Monteiro, Evandro do Vale Monteiro, Elóy
de Sousa (Loló), Cézar do Vale, Doriedsom Do Vale (Bodó), Leonardo Miranda
(Léo), Diego Vale e Jairo do Vale criaram o Grupo de Carimbó Tangará da Serra.
Deve
ser destacado que no mesmo ano de 2010 Mestre Camilo, Huarley Mateus do Vale,
Manduca do Vale, Heitor do Vale e Eloy de Souza reviveram A Folia de Santos
Reis que a mais de quarenta anos não se ouvia as ladainhas de Reis na
comunidade de Cristolândia. Graças a Mestre Camilo que guardava ainda na
memória a ladainha, isso tem sido repassado às crianças e todos os anos a Folia
de Reis tem aglomerado mais adeptos naquela comunidade.
É
fato que a contribuição de Mestre Camilo para a Cultura popular de Marapanim, e
não somente, é indiscutível, porém deve ser registrado que ele inicia sua
atuação como Cantador e Compositor de Carimbó em 1934, aos quinze anos de
idade. Sendo assim, foram mais de 80 (oitenta) anos cantando Carimbó e fazendo
a alegria de nossa gente. Além disso, era contador de histórias, causos e
piadas.
Mestre Camilo, companheiro e amigo próximo de
Mestre Lucindo, é mais um dos tantos e tantas que fizeram e fazem do Carimbó um
dos motivos de sua existência. Que conciliam a vida sofrida de produtor(a) rural,
pescador(a) e cantador(a) de Carimbó. E para que possamos contar as futuras
gerações como nossos avós cantavam o Carimbó faz-se necessário o justo
reconhecimento dele como um dos grandes nomes herdeiros do autentico Carimbó de
Raiz de Marapanim-Pa. Tio Camilo faleceu em 08 de maio de 2017.
sábado, 29 de julho de 2017
Campanha Educativa 2017
Caracterização
Mede 13 cm, adicionando-se mais 2 cm ao prolongamento das
retrizes medianas. O macho é um azul celeste e cauda pretas tendo, no alto da
cabeça, uma coroa vermelha brilhante. Na cauda, as duas penas centrais
projetam-se além das outras. A fêmea é verde escura, reconhecida por um ligeiro
prolongamento da cauda. Os machos imaturos são totalmente verde-oliva, mas
alguns jovens podem ser distinguidos das fêmeas devido ao vermelho na fronte,
que adquirem antes da troca de plumagem do restante do corpo.
Habitat
Habita as matas densas. Vivem no estrato médio da mata. E
também são encontrados à beira de núcleos urbanos do sudeste do país, o que
contribui para a sua populariedade.
Distribuição
Pode ser encontrado na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro até o
Rio Grande do Sul. No Estado do Pará, mais precisamente no Nosdeste paraense há
grande ocorrência dessa ave principalmente na região do alto rio marapanim.
Hábitos
Voam bem, mas usualmente não deixam a mata frondosa, alguns
revelam-se verdadeiros acrobatas quando exibem-se nas cerimônias pré-nupciais;
os movimentos tornam-se mais ligeiros nos machos, menores e mais leves na
fêmea.
Pegam formigas para friccioná-las nas asas
e na base da cauda, utilizam as formigas na higiene da plumagem, esfregando os
insetos vivos nas asas para gozar o efeito do ácido fórmico, atividade que é
tratada como "formicar-se".
Alimentação
Comem bagas, frutas, tiram pequenos pedaços. Apanham pequenos
insetos, vermes e aranhas nas folhas.
Reprodução
No período de reprodução, os dançadores machos executam
verdadeiras danças diante das fêmeas. Vários enfileiram-se num galho e
exibem-se, um de cada vez, diante da fêmea. Depois de executarem o ritual, cada
macho vai ao fim da fila e espera a sua vez para exibir-se novamente.
A fêmea tem o seu próprio território ao
redor do ninho. Constroem uma cestinha rala que é fixada a uma forquilha,
muitas vezes por negros micélios de fungos, que podem prender o ninho
como uma cortina, quebrando o seu contorno e mimetizando-o; utilizam teias de
aranhas, em boa qualidade para colar o material da construção a qual muitas
vezes está situada a uma altura relativamente grande, perto d'água e até sobre
ela.
Põe dois ovos, são de fundo pardacendo com
desenho pardo-escuro. A incubação é executada com dedicação pela mãe, é de 18
dias e os filhotes abandonam o ninho em 20 dias, quando começam a se
alimentar e a se defender sozinhos.
Manifestações sonoras
As suas manifestações sonoras cerimoniais é marcada com forte
"drüwed". A musiquinha começa num "tiu-tiu", passa para um
"trá-trá", com os tangarás voando, fazendo evoluções e pousando nos
galhos um junto ao outro, depois que cada um termina a sua parte na dança, que
costuma durar de quinze minutos a meia hora. Após a dança, ou antes dela,
o macho às vezes persegue uma fêmea, emitindo uma série de "trrrrs".
A espécie dispõe de um assobio de
advertência: "dwüd", dwüod".
Denominação
O termo "tangará" deriva do tupi "ata" -
andar, "carã" - em volta; seria equivalente ao "Saltarin"
castelhano.
O nome do Grupo de Carimbó de Cristolândia: ‘Tangará da Serra’
O grupo recebe esse nome em
homenagem a essa ave, pois há ocorrência da mesma em nossa comunidade. O nome
foi dado por Dona Vitalina, componente
do grupo. E isso ocorreu no ano de 2011 não apenas pela belza de plumagem e do
canto que a ave tem, mais também pela formação geológica que a comunidade de
Cristolândia apresenta: composta de morros e pequenas serras, às margens do Rio
Marapanim o que lhes propicia clima agradavel e aconchegante. Assim também pensa o amigo carimbozeiro Izaac
Loureiro:
“A Vila de Cristolândia é uma típica comunidade de agricultores, cercada
de mata nativa e com um relevo cheio de colinas e pequenos montes que lhe dão
um raro clima de montanha. Isso explica o nome escolhido para o grupo de
carimbó local: O Tangará da Serra.”
(Isaac Loureiro – Campanha do Carimbó
24/07/2014)
Bibliografia
Helmt Sick, 1988. "Ornitologia Brasileira".
Marco Antonio de Andrade, 1997. "Aves Silvestres - Minas Gerais".
Marco Antonio de Andrade, 1997. "Aves Silvestres - Minas Gerais".
http://www.faunacps.cnpm.embrapa.br/ave/tangarad.html
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Cultura e resistência: Carimbó Tamgará da Serra I
Ainda com alguns dias de atraso, esta postagem ganha consistência na alegria das crianças, dos jovens, adultos e idosos que dela participaram. Nesse sentido, faz-se necessário algumas considerações iniciais. O Grupo de Carimbó Tangará da Serra faz parte de um conjunto de ações socioeducativas desenvolvidas na comunidade agrícola de Cristolândia-Marapanim/PA.
O foco de atuação do grupo constitui-se em duas linhas de trabalho: Educacional e Ação Comunitária.
No primeiro, as atividades são desenvolvidas diretamente com crianças, adolescentes, jovens e idosos cujas as práticas educativas de socialização, de reflexão ética e humana buscam o fortalecimento de análise e atitude crítica comunitária. Já no segundo grupo de ações, o foco são as atividades articuladas junto aos diferentes grupos que também atuam na comunidade; para isto, as ações próprias do Grupo Tangará desenvolvem-se em parceria com o time de futebol Independência Futebol Club; Equipe Os Gaiatos; grupo gestor, funcionários e professoras da Escola Municipal de Ensino Fundamental Monsenhor Edmundo Igreja; Coordenação da Associação Comunitária e das pessoas que atuam como responsáveis diretos pela Igreja Católica na comunidade.
Essas ações ocorrem tanto na cedência de espaço físico para atividades de atendimento Médico, de palestras, oficinas e recreações o que possibilita a vivência comunitária nas mais diversificadas frentes de atuação, agindo como elemento de zelo à saúde e ao bem estar das pessoas da comunidade.
Foi pensando assim que no último dia 24 de junho de 2017 o Grupo de Carimbó Tangará da Serra desenvolveu atividade socioeducativa junto às crianças e comunidade de modo geral. A atividade desenvolveu-se através da idealização do I Lual de Carimbó em alusão às festas juninas de São João.
Todos sabem que concorrer com um jogo de futebol em pleno inicio de campeonato na comunidade chega a ser até desafiador, mas a determinação das crianças e do grupo foi fundamental para o êxito da atividade.
Todos sabem que concorrer com um jogo de futebol em pleno inicio de campeonato na comunidade chega a ser até desafiador, mas a determinação das crianças e do grupo foi fundamental para o êxito da atividade.
O objetivo da ação centrou-se na busca de possibilitar maior integração comunitária com vista a fortalecimento das práticas culturais do período junino.
Para que tivesse êxito foi feita a divulgação nas mídias sociais junto aos filhos e amigos de Cristolândia que residem em outros/as Municípios-Estados-Nações para que assim pudesse ser mobilizado o maior número de pessoas para se confraternizarem-se e vivenciarem momentos comunitários entre os parentes e amigos.
O cartaz produzido para a divulgação do evento foi veiculado nas mídias sociais: facebook, instagran, mensseger, google+, etc.
O cartaz produzido para a divulgação do evento foi veiculado nas mídias sociais: facebook, instagran, mensseger, google+, etc.
Antecedendo a execução do I Lual foram realizadas duas reuniões, na casa da Dona Vitalina, entre componentes do Grupo com o intuito de acertar detalhes finais da programação. Uma dessas reuniões ocorreu no dia 23/06, data que antecedeu o evento. Na manhã do dia 24/06, como estava na programação, foi construída uma fogueira para que fosse acendida no período noturno durante a realização da roda de Carimbó.
No período da tarde, o Grupo se reuniu em frente à Escola da Comunidade para abertura dos trabalhos.
Mesmo com o jogo de futebol acontecendo no campo do Independência, aos poucos as crianças chegavam e dispunham-se a participar; entre eles e elas havia aqueles que pegavam nos instrumentos e iniciavam músicas de carimbó de Mestre Camilo e Mestre Cezar. Após isso, iniciamos com uma roda de carimbó e logo em seguida a gincana..
Mesmo com o jogo de futebol acontecendo no campo do Independência, aos poucos as crianças chegavam e dispunham-se a participar; entre eles e elas havia aqueles que pegavam nos instrumentos e iniciavam músicas de carimbó de Mestre Camilo e Mestre Cezar. Após isso, iniciamos com uma roda de carimbó e logo em seguida a gincana..
Início da gincana com as crianças.
Tarefas:
1 - Dança da laranja:
2- Caminhar com ovo na colher.
3- Corrida de saco.
4- Responder as perguntas.
5- Cantar, tocar e dançar uma música de carimbó.
Para nossa surpresa e alegria, já próximo ao final da programação vespertina recebemos a visita do Mestre Pão, filho da 'terrinha' e cantador de Carimbó de Marapanim, que sabendo da programação promovida pelo Grupo deslocou-se junto com a esposa, filhos e netos até nossa comunidade e participou conosco cantando músicas de sua autoria.
A partir das 19h o grupo direcionou-se para a sede recreativa do Clube de Futebol para dar continuidade às ações. Acendeu-se a fogueira; em seguida, o Grupo de Carimbó Tangará da Serra deu início as atividades apresentando músicas inédita de autoria de Mestre Cesar e demais componentes.
Fotos/vídeos
Durante a programação o mediador Evandro do Vale fez o convite aos presentes para se manifestarem à participar da brincadeira de ‘passar fogueira’ como ‘compadre e/ou comadre de fogueira’. Talvez por a muito tempo isto não ser mais praticada na comunidade, poucos foram aqueles e aquelas que se manifestaram. Mesmo de forma tímida alguns se aproximaram da fogueira, mas não sabiam ou mesmo lembravam-se como a cerimônia era feito. Isso aconteceu principalmente entre as criança e adolescentes.
Enquanto alguns prestigiavam a fogueira a roda de carimbo continuava.
Enquanto alguns prestigiavam a fogueira a roda de carimbo continuava.
Por volta das 20:30h houve a apresentação da Quadrilha “Explosão Junina’ formada por crianças e adolescentes da comunidade, estudantes da Escola Monsenhor Edmundo Igreja. Este grupo de brincantes foi um esforço coletivo entre as professoras da escola, a coordenação da comunidade de Cristolândia e os alunos e alunas da escola. A apresentação foi brilhante, regada a olhares afetuosos de pais, mães, irmãos/irmãs e familiares que vibravam ao ver seus filhos/filhas e/ou netos/netas bailando em trajes confeccionados na própria comunidade.
Após a apresentação da Quadrilha Junina havia sido programado um Bingo Filantrópico, porém este foi transferido para o mês de julho em data mais oportuna a ser definida e amplamente divulgada. Em seguida o grupo de Carimbó continuou sua apresentação musical. A atividade encerrou as 23h40min.
Deve-se considerar que desde quando a atividade foi divulgada houve adesão considerável entre os filhos e/ou amigos de Cristolândia demostrando-se motivados a participarem do evento. Este fato pode ser confirmado frende a quantidade de pessoas que se fizeram presentes na ação desenvolvida. Esta aproximação entre os amigos e parentes, nos permite considerar que o apoio às atividades socioeducativas e culturais na comunidade precisam ser cada vez mais prestigiadas, pois dessa maneira a vida em sociedade torna-se mais afetuosa e compartilhada, mesmo que as tensões cotidianas, pelas quais todos e todas passam, tente nos convencer que não vale apena.
Quanto à categoria Resistência, devo ressaltar que a muito o Movimento dos/as Carimbozeiros/as lutavam para o devido reconhecimento dessa prática artística e cultural. O momento chegou em 2014 com o reconhecimento do Carimbó como Patrimônio Imaterial Brasileiro. Contudo, ressaltamos que institucionalizá-lo não basta. É preciso reconhecer que como manifestação vinculada a grupos marginalizados, cujo processo de exclusão e preconceito sobre quem através deste ritmo se manifestava era comum; contudo, não pode mais ser aceito como normal e práticas como essas precisam ser combatidas.
Assim, faz-se necessário o fortalecimento de iniciativas que, efetivamente, possibilitem a visibilidade do carimbó nas comunidades, não apenas como algo institucionalizado, mas deste enquanto registo de materialidade histórico-social de grupos que usaram e continuam usando a prática cultural do tambor de chão como manifesto contrário ao processo excludente implementado pelos diferentes desdobramentos da globalização neoliberal. É dessa maneira que o Grupo de Carimbó Tangará da Serra integra-se ao movimento carimbozeiro como manifestação contrária ao processo de tentativa de nos fazer esquecer de nossas manifestações culturais.
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