quarta-feira, 9 de agosto de 2017

‘Mestre Camilo do Vale’: o carimbó em ré menor

“Eu canto este carimbó
Na cantiga de um velho-menino
Maninho eu não canto só
Canto versos do velho Camilo”
(Huarley Vale-Monteiro)

Fazem três meses de tua partida. Não vemos mais teu sorriso moleque, tua alegria nas piadas contadas. Também sentimos falta até de tua teimosia; mas cumpriste teu papel. Deixastes para nós o legado de uma história não contada nos livros de história que circulam nas escolas. Contaste a história de nossa gente através da música, do ritmo, das toadas, de tuas anedotas e causos, como só você sabia co/antar.
velho-menino” é assim que compartilho minha convivência contigo e é dessa maneira que lembramos de sua passagem entre nós. E para que saibam de tua contribuição para as futuras gerações de nossa comunidade, este texto abordará alguns acontecimentos de tua trajetória de vida.


A trajetória de ‘Tio Camilo’, como era conhecido na comunidade de Cristolândia, confunde-se com a história da família Vale na região do Alto Rio Marapanim-Pa e com a própria história do Carimbó neste município.
Aos 29 de dezembro de 1919 nasce Camilo Alves do Vale, filho de Joaquina Coelho e Manoel Monteiro, produtores rurais, moradores da então comunidade do Sêco-Marapanim/Pa que depois de um certo tempo veio a se chamar Cristolândia. Contou-me ele, que ali viveu e iniciou, ainda na infância sua atividade artística. Pai de sete (07) filhos: José Maria, Maria da Conceição, Alberto, Fernando, Maria do Socorro, Haroldo e Raimundo Nonato Alves do Vale.
Quando criança acompanhava os pais frequentadores do Carimbó da ‘Tia Tereza’, antigo terreiro de carimbó de Cristolândia que reunia pessoas de diferentes localidades para as festas em louvor a São Benedito. Cresceu vivenciando as batidas de Carimbó das mãos Raimundo Gaia e Romão de Barros, o som da viola de Matias do Vale e o milheiro tocado por Tio Pirico. Quando os tocadores do Carimbó da Tia Tereza davam uma pausa, ele e as outras crianças pegavam os instrumentos e brincavam de ser cantadores de Carimbó.
Assim Camilo cresceu e seus colegas de infância assumiram, junto com ele, o autêntico Carimbó de tambor de chão que experimentavam nas brincadeiras de crianças. Além de Tio Camilo, que veio a se tornar o Mestre de Carimbó do terreiro da Tia Tereza, também eram dessa época, os batedores de tambor, Raimundo Vale (Raimundo Moquia), Antônio Vale (Saburete) e o violeiro João do Vale (João Parú). Todos eles cresceram ouvindo e frequentando o Carimbó da Tia Tereza e, graças a ela, e aos que com ela conviveram, o Carimbó permanece vivo em Cristolândia.
Conforme o que Camilo falava e as pessoas mais idosas da comunidade confirmam que naquela época não havia instrumentos de sopro, os outros instrumentos eram todos confeccionados artesanalmente pelos próprios músicos. Afirmam ainda que, naquela época não havia conjuntos de carimbó, o que existia eram apenas tocadores e cantadores de Carimbó que se reuniam para festejar e compartilhar suas alegrias ou devoções. Assim, as músicas que surgiam retratavam as relações cotidianas do convívio com a natureza, nas atividades de trabalho, nos desconsolos e angústias da vida, tanto como nos gracejos das paixões que surgiam. E desse convívio muitos namoros e posterior casamentos surgiam.
A exemplo disso era o carimbó organizado por Tia Tereza. O idosos da comunidade, assim como Tio Camilo contava, dizem que ele iniciava no mês de novembro, quando os ensaios aconteciam. Levantava-se o mastro em louvor a São Benedito em 26 de Dezembro e durante dez dias o Carimbó acontecia sem parar; até que no dia seis de janeiro era derrubado o mastro e encerrava-se o período de Carimbó. Apesar da festa ganhar força a partir de novembro, Tia Tereza passava o ano todo se organizando para a festa: criava boi, porcos, galinhas e patos, tudo para servir de alimento para as pessoas durante as festas de carimbó do Santo Preto.
Com o passar dos anos, em respeito a Tia Tereza, a festa só iniciava depois que ela dançasse a primeira música. O ritual consistia da seguinte maneira: ela acompanhava todos os preparativos sentada no seu banco no canto do salão, quando já estava tudo pronto, os cantadores começavam a cantar a música feita para ela. Ela, por sua vez, já sabendo do procedimento, pegava seu bastão, levantava-se e começava a dança pelo salão convidando todos e todas para virem participar de mais um ano de festejos. A música cantada para ela, bem retrata esse momento:

“Um bando de porco saiu na praia
A velha do cacete com a mão na saia
Com a mão na saia.
Com a mão na saia.
A velha do cacete com a mão na saia.”

Tia Tereza faleceu a mais de sessenta anos com 115 anos de idade, deixando uma herança cultural importante para as novas gerações.
Grande parte desse legado foi herdado por Camilo e, segundo o que ele me contou, sua produção artística teve início aos dez anos de idade; mais precisamente em 1929, quando convidado por Mestre Enoque do Vale, integrou o Cordão de Pássaro ‘O Periquito’. De lá pra cá não parou mais de compor e participar de brincadeiras de Bichos e Pássaros. A exemplo disso são: O Tucunaré, A Tilápia, O Surubim, O Papagaio, O Caranguejo e tantos outros que participou e ajudou a compor.
Além dessas brincadeiras foi ele o idealizador e compositor das toadas do Boi-bumbá Misterioso. Foi ainda o criador e Mestre do Conjunto de Carimbó ABC (Cristolândia) e Beija-flôr (Jarandeua). Em 2010 ajudou a resgatar o Carimbó em Cristolândia e junto com Huarley Mateus do Vale Monteiro, Manoel do Vale Monteiro (Manduca), Vitalina do Vale Monteiro, Evandro do Vale Monteiro, Elóy de Sousa (Loló), Cézar do Vale, Doriedsom Do Vale (Bodó), Leonardo Miranda (Léo), Diego Vale e Jairo do Vale criaram o Grupo de Carimbó Tangará da Serra.
Deve ser destacado que no mesmo ano de 2010 Mestre Camilo, Huarley Mateus do Vale, Manduca do Vale, Heitor do Vale e Eloy de Souza reviveram A Folia de Santos Reis que a mais de quarenta anos não se ouvia as ladainhas de Reis na comunidade de Cristolândia. Graças a Mestre Camilo que guardava ainda na memória a ladainha, isso tem sido repassado às crianças e todos os anos a Folia de Reis tem aglomerado mais adeptos naquela comunidade.
É fato que a contribuição de Mestre Camilo para a Cultura popular de Marapanim, e não somente, é indiscutível, porém deve ser registrado que ele inicia sua atuação como Cantador e Compositor de Carimbó em 1934, aos quinze anos de idade. Sendo assim, foram mais de 80 (oitenta) anos cantando Carimbó e fazendo a alegria de nossa gente. Além disso, era contador de histórias, causos e piadas.

 Mestre Camilo, companheiro e amigo próximo de Mestre Lucindo, é mais um dos tantos e tantas que fizeram e fazem do Carimbó um dos motivos de sua existência. Que conciliam a vida sofrida de produtor(a) rural, pescador(a) e cantador(a) de Carimbó. E para que possamos contar as futuras gerações como nossos avós cantavam o Carimbó faz-se necessário o justo reconhecimento dele como um dos grandes nomes herdeiros do autentico Carimbó de Raiz de Marapanim-Pa. Tio Camilo faleceu em 08 de maio de 2017.

sábado, 29 de julho de 2017

Campanha Educativa 2017

 


Reprodução: 
Foto Luiz Cláudio Marigo


Tangará-dançador

(Chiroxiphia caudata)

Família Pipridae


Caracterização

Mede 13 cm, adicionando-se mais 2 cm ao prolongamento das retrizes medianas. O macho é um azul celeste e cauda pretas tendo, no alto da cabeça, uma coroa vermelha brilhante. Na cauda, as duas penas centrais projetam-se além das outras. A fêmea é verde escura, reconhecida por um ligeiro prolongamento da cauda. Os machos imaturos são totalmente verde-oliva, mas alguns jovens podem ser distinguidos das fêmeas devido ao vermelho na fronte, que adquirem antes da troca de plumagem do restante do corpo.

Habitat

Habita as matas densas. Vivem no estrato médio da mata. E também são encontrados à beira de núcleos urbanos do sudeste do país, o que contribui para a sua populariedade.

Distribuição

Pode ser encontrado na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul. No Estado do Pará, mais precisamente no Nosdeste paraense há grande ocorrência dessa ave principalmente na região do alto rio marapanim.

 

Hábitos

Voam bem, mas usualmente não deixam a mata frondosa, alguns revelam-se verdadeiros acrobatas quando exibem-se nas cerimônias pré-nupciais; os movimentos tornam-se mais ligeiros nos machos, menores e mais leves na fêmea.
Pegam formigas para friccioná-las nas asas e na base da cauda, utilizam as formigas na higiene da plumagem, esfregando os insetos vivos nas asas para gozar o efeito do ácido fórmico, atividade que é tratada como "formicar-se".

Alimentação

Comem bagas, frutas, tiram pequenos pedaços. Apanham pequenos insetos, vermes e aranhas nas folhas.

Reprodução

No período de reprodução, os dançadores machos executam verdadeiras danças diante das fêmeas. Vários enfileiram-se num galho e exibem-se, um de cada vez, diante da fêmea. Depois de executarem o ritual, cada macho vai ao fim da fila e espera a sua vez para exibir-se novamente.
A fêmea tem o seu próprio território ao redor do ninho. Constroem uma cestinha rala que é fixada a uma forquilha, muitas vezes por negros micélios de fungos,  que podem prender o ninho como uma cortina, quebrando o seu contorno e mimetizando-o; utilizam teias de aranhas, em boa qualidade para colar o material da construção a qual muitas vezes está situada a uma altura relativamente grande, perto d'água e até sobre ela.
Põe dois ovos, são de fundo pardacendo com desenho pardo-escuro. A incubação é executada com dedicação pela mãe, é de 18 dias e os filhotes abandonam o ninho em 20 dias, quando começam  a se alimentar e a se defender sozinhos.

Manifestações sonoras

As suas manifestações sonoras cerimoniais é marcada com forte "drüwed". A musiquinha começa num "tiu-tiu", passa para um "trá-trá", com os tangarás voando, fazendo evoluções e pousando nos galhos um junto ao outro, depois que cada um termina a sua parte na dança, que costuma durar de quinze minutos a meia hora.  Após a dança, ou antes dela, o macho às vezes persegue uma fêmea, emitindo uma série de "trrrrs".
A espécie dispõe de um assobio de advertência: "dwüd", dwüod".

Denominação

O termo "tangará" deriva do tupi "ata" - andar, "carã" - em volta; seria equivalente ao "Saltarin" castelhano.

O nome do Grupo de Carimbó de Cristolândia: ‘Tangará da Serra’

O grupo recebe esse nome em homenagem a essa ave, pois há ocorrência da mesma em nossa comunidade. O nome foi  dado por Dona Vitalina, componente do grupo. E isso ocorreu no ano de 2011 não apenas pela belza de plumagem e do canto que a ave tem, mais também pela formação geológica que a comunidade de Cristolândia apresenta: composta de morros e pequenas serras, às margens do Rio Marapanim o que lhes propicia clima agradavel e aconchegante.  Assim também pensa o amigo carimbozeiro Izaac Loureiro:

 

“A Vila de Cristolândia é uma típica comunidade de agricultores, cercada de mata nativa e com um relevo cheio de colinas e pequenos montes que lhe dão um raro clima de montanha. Isso explica o nome escolhido para o grupo de carimbó local: O Tangará da Serra.” (Isaac Loureiro – Campanha do Carimbó 24/07/2014)

 

Bibliografia

 

Helmt Sick, 1988. "Ornitologia Brasileira". 
Marco Antonio de Andrade, 1997. "Aves Silvestres - Minas Gerais".



http://www.faunacps.cnpm.embrapa.br/ave/tangarad.html

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Cultura e resistência: Carimbó Tamgará da Serra I

Ainda com alguns dias de atraso, esta postagem ganha consistência na alegria das crianças, dos jovens, adultos e idosos que dela participaram. Nesse sentido, faz-se necessário algumas considerações iniciais. O Grupo de Carimbó Tangará da Serra faz parte de um conjunto de ações socioeducativas desenvolvidas na comunidade agrícola de Cristolândia-Marapanim/PA. 

O foco de atuação do grupo constitui-se em duas linhas de trabalho: Educacional e Ação Comunitária. No primeiro, as atividades são desenvolvidas diretamente com crianças, adolescentes, jovens e idosos cujas as práticas educativas de socialização, de reflexão ética e humana buscam o fortalecimento de análise e atitude crítica comunitária. Já no segundo grupo de ações, o foco são as atividades articuladas junto aos diferentes grupos que também atuam na comunidade; para isto, as ações próprias do Grupo Tangará desenvolvem-se em parceria com o time de futebol Independência Futebol Club; Equipe Os Gaiatos; grupo gestor, funcionários e professoras da Escola Municipal de Ensino Fundamental Monsenhor Edmundo Igreja; Coordenação da Associação Comunitária e das pessoas que atuam como responsáveis diretos pela Igreja Católica na comunidade. 

Essas ações ocorrem tanto na cedência de espaço físico para atividades de atendimento Médico, de palestras, oficinas e recreações o que possibilita a vivência comunitária nas mais diversificadas frentes de atuação, agindo como elemento de zelo à saúde e ao bem estar das pessoas da comunidade. Foi pensando assim que no último dia 24 de junho de 2017 o Grupo de Carimbó Tangará da Serra desenvolveu atividade socioeducativa junto às crianças e comunidade de modo geral. A atividade desenvolveu-se através da idealização do I Lual de Carimbó em alusão às festas juninas de São João.

Todos sabem que concorrer com um jogo de futebol em pleno inicio de campeonato na comunidade chega a ser até desafiador, mas a determinação das crianças e do grupo foi fundamental para o êxito da atividade.

O objetivo da ação centrou-se na busca de possibilitar maior integração comunitária com vista a fortalecimento das práticas culturais do período junino. Para que tivesse êxito foi feita a divulgação nas mídias sociais junto aos filhos e amigos de Cristolândia que residem em outros/as Municípios-Estados-Nações para que assim pudesse ser mobilizado o maior número de pessoas para se confraternizarem-se e vivenciarem momentos comunitários entre os parentes e amigos.

O cartaz produzido para a divulgação do evento foi veiculado nas mídias sociais: facebook, instagran, mensseger, google+, etc.


 


Antecedendo a execução do I Lual foram realizadas duas reuniões, na casa da Dona Vitalina, entre componentes do Grupo com o intuito de acertar detalhes finais da programação. Uma dessas reuniões ocorreu no dia 23/06, data que antecedeu o evento. Na manhã do dia 24/06, como estava na programação, foi construída uma fogueira para que fosse acendida no período noturno durante a realização da roda de Carimbó. No período da tarde, o Grupo se reuniu em frente à Escola da Comunidade para abertura dos trabalhos.

Mesmo com o jogo de futebol acontecendo no campo do Independência, aos poucos as crianças chegavam e dispunham-se a participar; entre eles e elas havia aqueles que pegavam nos instrumentos e iniciavam músicas de carimbó de Mestre Camilo e Mestre Cezar. Após isso, iniciamos com uma roda de carimbó e logo em seguida a gincana..

    









Início da gincana com as crianças.

Tarefas:
1 - Dança da laranja: 


 

2- Caminhar com ovo na colher. 

   

 3- Corrida de saco. 


   








 4- Responder as perguntas.

 

5- Cantar, tocar e dançar uma música de carimbó.

  

Para nossa surpresa e alegria, já próximo ao final da programação vespertina recebemos a visita do Mestre Pão, filho da 'terrinha' e cantador de Carimbó de Marapanim, que sabendo da programação promovida pelo Grupo deslocou-se junto com a esposa, filhos e netos até nossa comunidade e participou conosco cantando músicas de sua autoria.

   

A partir das 19h o grupo direcionou-se para a sede recreativa do Clube de Futebol para dar continuidade às ações. Acendeu-se a fogueira; em seguida, o Grupo de Carimbó Tangará da Serra deu início as atividades apresentando músicas inédita de autoria de Mestre Cesar e demais componentes.

Fotos/vídeos


   



















Durante a programação o mediador Evandro do Vale fez o convite aos presentes para se manifestarem à participar da brincadeira de ‘passar fogueira’ como ‘compadre e/ou comadre de fogueira’. Talvez por a muito tempo isto não ser mais praticada na comunidade, poucos foram aqueles e aquelas que se manifestaram. Mesmo de forma tímida alguns se aproximaram da fogueira, mas não sabiam ou mesmo lembravam-se como a cerimônia era feito. Isso aconteceu principalmente entre as criança e adolescentes.

Enquanto alguns prestigiavam a fogueira a roda de carimbo continuava. 

Por volta das 20:30h houve a apresentação da Quadrilha “Explosão Junina’ formada por crianças e adolescentes da comunidade, estudantes da Escola Monsenhor Edmundo Igreja. Este grupo de brincantes foi um esforço coletivo entre as professoras da escola, a coordenação da comunidade de Cristolândia e os alunos e alunas da escola. A apresentação foi brilhante, regada a olhares afetuosos de pais, mães, irmãos/irmãs e familiares que vibravam ao ver seus filhos/filhas e/ou netos/netas bailando em trajes confeccionados na própria comunidade. 

Fotos

  


Após a apresentação da Quadrilha Junina havia sido programado um Bingo Filantrópico, porém este foi transferido para o mês de julho em data mais oportuna a ser definida e amplamente divulgada. Em seguida o grupo de Carimbó continuou sua apresentação musical. A atividade encerrou as 23h40min. 

Deve-se considerar que desde quando a atividade foi divulgada houve adesão considerável entre os filhos e/ou amigos de Cristolândia demostrando-se motivados a participarem do evento. Este fato pode ser confirmado frende a quantidade de pessoas que se fizeram presentes na ação desenvolvida. Esta aproximação entre os amigos e parentes, nos permite considerar que o apoio às atividades socioeducativas e culturais na comunidade precisam ser cada vez mais prestigiadas, pois dessa maneira a vida em sociedade torna-se mais afetuosa e compartilhada, mesmo que as tensões cotidianas, pelas quais todos e todas passam, tente nos convencer que não vale apena. 

Quanto à categoria Resistência, devo ressaltar que a muito o Movimento dos/as Carimbozeiros/as lutavam para o devido reconhecimento dessa prática artística e cultural. O momento chegou em 2014 com o reconhecimento do Carimbó como Patrimônio Imaterial Brasileiro. Contudo, ressaltamos que institucionalizá-lo não basta. É preciso reconhecer que como manifestação vinculada a grupos marginalizados, cujo processo de exclusão e preconceito sobre quem através deste ritmo se manifestava era comum; contudo, não pode mais ser aceito como normal e práticas como essas precisam ser combatidas. 

Assim, faz-se necessário o fortalecimento de iniciativas que, efetivamente, possibilitem a visibilidade do carimbó nas comunidades, não apenas como algo institucionalizado, mas deste enquanto registo de materialidade histórico-social de grupos que usaram e continuam usando a prática cultural do tambor de chão como manifesto contrário ao processo excludente implementado pelos diferentes desdobramentos da globalização neoliberal. É dessa maneira que o Grupo de Carimbó Tangará da Serra integra-se ao movimento carimbozeiro como manifestação contrária ao processo de tentativa de nos fazer esquecer de nossas manifestações culturais.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

EVENTOS LETRAS 2017

2017
Janeiro, 2017

https://bresilcontemporain.wordpress.com/
14
Paris, França
Março, 2017

http://abralin.org/congresso2017/
7 a 10
UFF, Campos Gragoatá, Niterói/RJ



http://www.fabricadeideias.ufba.br/
18 a 31
XVIII Fábrica de Ideias 2017
Patrimônio, Desigualdade e Políticas Culturais
São Luís e Alcântara, Maranhão

http://www.africanos.eu/ceaup/index.php?p=g&n=460
29 a 31
Universidade do Porto, Portugal


Abril, 2017
http://www.congressoabes2017.com/
4 a 7
UFF, Niterói/RJ


http://jocaed2017.blogspot.com.br/p/blog-page_31.html
18 a 21
http://www.aila2017.com.br/index.php/pt/

http://www.mundoalfal.org/?q=es/pt_proximo_congreso
24 a 28
Bogotá, Colômbia
 
http://www.fazendogenero.ufsc.br/wwc2017/
30/07 a 04/08
UFSC, Florianópolis/SC


http://ichl23.utsa.edu/
31 a 4 de agosto
San Antonio, Texas
Outubro, 2017
http://w3.ese.ipsantarem.pt/simelp/