domingo, 5 de junho de 2016

Periódicos indexados (Qualis-Capes) da área de Letras e Linguística

Periódicos indexados (Qualis-Capes) da área de Letras e Linguística


PERIÓDICOS QUALIS A1

Revista da ABRALIN (Curitiba)

Alfa : Revista de Linguística (UNESP. São José do Rio Preto. Online)

Cadernos de Estudos Linguísticos (UNICAMP)

DELTA. Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada (Online)

Língua e Instrumentos Linguísticos
Revista Brasileira de Linguística Aplicada (Impresso)

Revista da ANPOLL (Online)

Revista de Estudos da Linguagem

Trabalhos em Linguística Aplicada (UNICAMP)


PERIÓDICOS QUALIS A2


Calidoscópio (UNISINOS)

Discurso ( Departamento de Filosofia da USP)

Letras (UFSM)

Linguagem & Ensino (UCPEL)

MOARA (UFPA)

Revista de Letras (UNESP)

Revista do GEL (GEL)

Revista do GELNE (GELNE)

Veredas (UFJF)


PERIÓDICOS QUALIS B1

Caderno de Letras (UFRJ)

Caderno de Letras (UFF)

Conexão Letras

Estudos da Lingua(gem) (Impresso e Online)

Estudos Linguísticos (Lisboa)

Fórum Linguístico (online e impresso)

Fragmentos

Intercâmbio (PUC- SP)

Intersecções

Investigações (online e impresso)

Letras & Letras (online e impresso)

Língua Escrita

Línguas & Letras

Linguística (Rio de Janeiro)

Polifonia (UFMT)

Revista Signos


PERIÓDICOS QUALIS B2

Domínios de Lingu@gem (Uberlândia - MG)
(http://www.seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/issue/view/913)

Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978)
(http://www.gel.org.br/novo/estudos-linguisticos/)

Interdisciplinar: Revista de Estudos em Língua e Literatura 
(http://www.seer.ufs.br/index.php/interdisciplinar)

Leitura (UFAL)
(http://www.fale.ufal.br/posgraduacao/ppgll/revista_leitura.htm)

Linha d'Agua 
(http://www.revistas.usp.br/linhadagua/index)

Papia (Brasília)
(http://revistas.fflch.usp.br/papia)

Revista (Con)Textos Linguísticos (UFES)
(http://periodicos.ufes.br/contextoslinguisticos)

Revista de Humanidades (UNIFOR)
(http://www.unifor.br/index.php?option=com_content&view=article&id=371&Itemid=782)

Revista Letras (UFSM) online
(http://w3.ufsm.br/revistaletras/index.html)

Revista Virtual de Estudos da Linguagem 
(http://www.revel.inf.br/pt)

The Especialist (PUCSP)
(http://revistas.pucsp.br/index.php/esp)

Tradução & Comunicação: Revista Brasileira de Tradutores
(http://sare.anhanguera.com/index.php/rtcom)

Signo (UNISC. Online)
(http://online.unisc.br/seer/index.php/signo/)

Domínios de Lingu@Gem
(www.seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/)

Hipertextus Revista Digital (UFPE)
(www.hipertextus.net/politica-editorial.html)

Prolíngua (João Pessoa)
(http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/prolingua/index)


PERIÓDICOS QUALIS B3


Acolhendo a Alfabetização nos Países de Língua Portuguesa (USP)

Ao Pé da Letra (UFPE)

Boletim - Centro de Letras e Ciências Humanas (UEL)

Caderno de Letras (UFPEL)

Cadernos CESPUC de Pesquisa. Série Ensaios

Cadernos de Pós Graduação em Letras (Online)

Cadernos Neolatinos (UFRJ)

Caligrama (ECA/USP. Online)

Ciências & Letras (FAPA. Impresso)

Comunicação & Sociedade

Comunicação e Espaço Público (UnB)

Comunicação, Mídia e Consumo (São Paulo)

Crátilo (UnB)

Currículo sem Fronteiras

DLCV (UFPB)

Encontros de Vista

Fragmentum (UFSM)

Inventário (Universidade Federal da Bahia. Online)

Letrônica

Linguasagem (São Paulo)

Palimpsesto (Rio de Janeiro. Impresso)

RENOTE. Revista Novas Tecnologias na Educação

Revista Brasileira de Educação (Impresso)

Revista de Letras (Fortaleza)

Revista Ecos (Cáceres)

Revista Escrita (PUCRJ. Online)

Revista Gatilho (PPGL/ UFJF. Online)

Revista Interfaces (UFRJ)

Revista Letra (Rio de Janeiro)

Revista Língua & Literatura (Impresso)

Working Papers em Linguística (Online)

PERIÓDICOS QUALIS B4



Acta Científica (Patos de Minas)
(http://faculdadepatosdeminas.edu.br/a-faculdade/publicacoes)

Entremeios
(http://www.entremeios.inf.br/)

Idioma (UERJ)
(www.institutodeletras.uerj.br/revidioma_edicoes.php)

Inter-ação (UFG. Impresso)
(www.revistas.ufg.br/index.php/interacao)

Intertexto (Uberaba)
(http://revistaintertexto.letras.uftm.edu.br/)

Linguagem. Estudos e Pesquisas (UFG)
(www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/servi/qualis.htm)

Nuances (UNESP Presidente Prudente)
(revista.fct.unesp.br/index.php/Nuances)

REL. Revista Eletrônica de Letras
(legacy.unifacef.com.br/novo/letras/rel/index.html)

Revista Alpha 
(http://alpha.unipam.edu.br/)

Revista Brasileira de Letras (UFSCar)
(www.cech.ufscar.br/revletras.htm)

Revista de Letras (Taguatinga)
(portalrevistas.ucb.br/index.php/RL)

Revista de Letras Norte@mentos
(http://sinop.unemat.br/projetos/revista/index.php/norteamentos)

Revista do SELL 
(http://www.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/sell)

Revista e-scrita: revista do curso de Letras da UNIABEU 
(http://www.uniabeu.edu.br/publica/index.php/re)

Revista L@el em (Dis-)Curso 
(http://revistas.pucsp.br/index.php/revlael/about)

RevLet: Revista Virtual de Letras
(http://www.revlet.com.br/)

SOLETRAS (UERJ) 
(http://www.ffp.uerj.br/publicacoes/so_letras/soletras_apr.htm)

Revista de Letras (Curitiba. 1996)

domingo, 29 de maio de 2016

Nenê Macaggi: provocações




Nenê Macaggi: provocações



           1 – Localizando-nos

O estado de Roraima localiza-se no extremo norte do Brasil. É conhecido pela presença de povos étnicos, dinamizadores de comunidades tradicionais da Amazônia brasileira.

Em 2011, formulei um projeto de Mestrado, apresentei ao Programa de Pós-graduação em Educação da UNISO-Sorocaba/SP e fui aceito. Foi um período de intensa produção intelectual e de acolhimento mútuo.
O resultado dessa experiência foi a Dissertação intitulada ‘Narrativas dos moradores da terra indígena do alto São Marcos-RR: diálogos para além das fronteiras do cotidiano escolar’, sobre a orientação do Profº. Dr. Marcos Reigota, defendida em 2013.  Após esse momento, dediquei-me a reunir documentos que tivessem a fronteira Pan-Amazônica Brasil/Venezuela como referência. Pautei minhas buscas na etnografia e em documentações que apontassem as implicações da dinâmica social cotidiana vivenciada nesta respectiva fronteira; tal recorte, teve por foco manifestações artísticas, literárias e culturais.
Neste exercício, deparei-me com as obras de Macaggi ainda em 2013. Na ocasião já havia sido incluída, na listagem das exigidas como leitura obrigatória ao exame Vestibular para ingresso na UFRR (Universidade Federal de Roraima). Desde então, tenho reunido as produções sobre/da autora e informações daqueles que tem escrito sobre ela. Garanto a vocês que não são tantos assim.
Por desenvolver minhas atividades profissionais na UERR (Universidade Estadual de Roraima), Campus de Pacaraima, cidade fronteiriça com a Venezuela, mais precisamente no curso de Letras ofertado naquele município, tenho partido das obras da referida autora com o intuito de verificar a dinâmica vida cotidiana, pessoas/povos, que tencionam suas relações neste espaço. Como maneira de sistematização registrei, em junho de 2014, na PROPS-UERR o projeto investigativo “Representações da violência no romance A Mulher no Garimpo: o romance no extremo sertão do amazonas, de Nenê Macaggi” que busca verificar, a partir das vozes que a obra apresenta, quais indícios de violência poderiam ser constatados; visto que a obra em questão foi publicada na década de 1970, mais precisamente em 1976, período de intensificação da Ditadura Militar que acometeu a nação brasileira.
As pesquisas realizadas, junto ao exercício de leitura, constataram a extensa produção intelectual de Nenê. Contudo, e mais agravante ainda foi constatar que as obras da referida autora ainda permanecem a margem das produções literárias na Amazônia brasileira, e não somente.
Esta condição de marginalidade a qual foram relegadas as escritoras, principalmente na Amazônia, talvez possa nos apontar sobre a relevância dos estudos sobre as obras de Nenê Macaggi, não apenas por debater aspectos sócio-históricos, políticos e culturais, mas por contribuir significativamente para um outro olhar e possibilidade sobre os estudos a respeito de escritoras e escritores da/na região amazônica.
Volto a frisar que o período apontado nas obras foi de grande efervescência na região amazônica: garimpagem, pistolagem, expansionismo desenvolvimentista, migrações; tudo isso, em meio ao regime militar que acometeu a nação brasileira.
Para além disto, parece-nos que as obras de Nenê Macaggi acrescentam-se, entre as tantas, cujo os registros, oficiais e oficiosos, de nossa tradição periodista historiográfica literária brasileira, tornou-as invisíveis por muito tempo e poucos leitores tiveram acesso a essa significativa produção. Além do mais, quando se fala em autores que produziram obras literárias, principalmente no norte do país é comum certo desconhecimento e estado de surpresa; e mais ainda, quando esta atividade tenha sido exercida e dinamizadas por mulheres.

2 – Um pouco mais sobre Nenê Macaggi

O espaço conhecido como amazônico e a trajetória da autora, segundos consta, se articulam na década de 1940. Contudo antes disso ela já exercia intensa atividade literária.
Penso que seja oportuno descrever, neste momento, algumas outras informações sobre a autora e que nos ajudam a contextualizar melhor sua presença no espaço amazônico, mais precisamente em Roraima: Maria Macaggi (nasceu em 24 de abril de 1913, em Paranaguá-Pr, falecida em março de 2003, Boa Vista-RR), mais conhecida no meio artístico como Nenê, é assim que aparece na produção literária e jornalística do estado de Roraima.
Macaggi chega a região norte do país em 1940 havia sido enviada, pelo governo federal, para desenvolver atividades jornalísticas descritiva sobre os territórios federais da região vinculada ao Sistema de Proteção ao Índio (SPI). Inicialmente fixou residência no estado do Amazonas (1941); tempos depois, segue para a região onde hoje é o Estado de Roraima e assim continua suas atividades. Contudo, deve ser ressaltado que antes de sua chegada a esta região, Nenê já exercia intensa atividade literária e jornalística, constatam-se romances e crônicas (Água Parada e Chica Banana, 1930) e contos (Contos de Dor e Sangue, 1940), dessa época.
Ressalto que, além dessas merecem destaques, precisamente o romances que iniciam a literatura produzida em Roraima (A Mulher no Garimpoo romance no extremo sertão do amazonas; seguidos de Nara-Sue Uarená – o romance dos Xamatautheres do Parima e Dadá Gemada, doçura e amargura - romance do fazendeiro de Roraima), todos publicados pós 1970 e que só recentemente estão sendo reeditados. Destaco ainda, muitos outros, como: Conto de Amor e Conto de Dor (ambos de 1970), Exaltação ao Verde (1980), Contos de Amor Sentimentais e trágicos (1988), A Paixão é Coisa Terrível (1990).

3 – Algo a mais

Recentemente, buscando dados através da internet referente a autora, deparei-me com um poema produzido por Zanny Adairalba. O texto é bem ao estilo dos cordéis produzidos no nordeste brasileiro e reconstrói a trajetória vivenciada por Macaggi em Roraima. Insta frisar que Roraima recebeu grande leva de nordestinos resultante das políticas desenvolvimentistas implementada na Amazônia.  Vejamos o fragmento textual:

“[…] E conta o povo dali
Que aquela mulher guerreira
Se disfarçou foi de homem
Com calça, bota e peixeira

Pra trabalhar no garimpo
Usando enxada e peneira

Cortou cabelo bem curto
Meteu-se naquela lama
Falava pouco com os outros
Pra não estragar sua trama
Seguia assim, bem discreta
Pra desviar-se de drama

Pois tudo o que ela queria
Era colher informação
De forma bem mais precisa
Além do lápis na mão
E assim, a moça, algum tempo
Passou-se por “cidadão”

E nesse seu trabalhar
No barro do Tepequém
A vida do garimpeiro
Ela traçou muito bem
Com a história da pecuária
Com a dos índios também

Até que um dia um senhor
Achou um tanto estranho:
Que aquele “moço” calado
Não se mostrava no banho
E assim, Nenê foi-se embora
Vendo o perigo tamanho

Mas que ela foi corajosa
Está bem claro de ver
Depois publicou seu livro
Deixou pra mim, pra você
Foi “A mulher do garimpo”
Tesouro do escrever!

Uma herança pra história
Firmada com louvação
Traçada em linhas bem postas
De um tempo em que o cidadão
Ganhava ou perdia a vida
Tirando ouro do chão […]”.

                    (http://obenedito.com.br/mulher-garimpo/)







 “Eu fico impressionada que ainda hoje, mesmo depois de tantas discussões, trabalhos sobre a sua vida, exposições, tanta gente diz que nunca ouviu falar dela, que não sabia quem ela era”, lamenta Elena Fioretti.”
(In  http://www.jornalroraimahoje.com.br/index.php/2015-04-15-23-51-03/26-nene-macaggi-uma-aranaense-que-marcou-a-historia-cultura-de-roraima)


 Não significando uma conclusão
            É fato que autoras e autores que dinamizaram suas produções artísticas na região amazônica estiveram, durante muito tempo, a margem dos holofotes das grandes editoras brasileiras. Ontudo faz-se necessário que seja possibilitado a circulação desses textos, pois esta condição de invisibilidade contribui para esse anonimato fortalecendo o discurso sobre o cânone como algo inquestionável.
            Partindo desse princípio, formulei, e foi aceita, uma proposta de Doutorado ao PPGL-UFPA em Estudos Literários/2016 cujo referente constitui-se em um redimensionamento sobre o que se observa sobre o cânone Literário. Parto do princípio da relevante contribuição de autores/as que desenvolveram intensa produção literária no Brasil, mais precisamente na Amazônia e que foram relegados ao esquecimento.
            Frente a isto questionamentos nos conduzem:
·         Qual o discurso que regula e outorga o cânone literário?
·    As obras de Nenê Macaggi contribuiriam para uma revisão historiográfica do cânone literário na Amazônia?
Para além destas indagações iniciais, muitas outras foram formatadas e nos conduziram a percepção da relevância dos estudos sobre autoras/es que ficaram invizibilizados ao longo do tempo. Nem por isso suas produções são menos relevante e/ou significativas para estudos literários, historiográficos, sociais e culturais.

Por fim, acredito que muito ainda há de ser revisto na proposta que me ocupo, e talvez ganhe ela outro desdobramento que não este apontado agora; porém, acredito que sustente as indagações iniciais e dão o significado ao me proponho, inicialmente, para este trabalho.

terça-feira, 29 de março de 2016

NARRATIVES OF RESIDENTS OF INDIGENOUS LAND OF ALTO MARCOS - RR: DIALOGUES AT THE BORDERS OF EVERYDAY SCHOOL


Huarley Mateus do Vale Monteiro[1]
Marcos Antônio dos Santos Reigota[2]

The Brazilian Amazon coexists with political, economic and educational models, often thought of far from its reality. To debate on such issues is to dialogue with the dynamic Border Pan Amazon Brazil/Venezuela. Thus put, the present work refers to the anonymous voices of the Indigenous inhabitants of the Alto São Marcos / RR / Brazil, with their dreams, anxieties and becomings. It is in the weaving of the daily lives of the people and their social relations that we seek understanding of their belongings and singularities in the postmodern context. In this pursuit, the exercise of reading led us to the notion of Frontier. To understand how this is presented as probable element of dialogue on the social dynamics of the people in the Pan Amazon area in the state of Roraima and how it resonates through the voices / narratives, configuring experiments on historical, social, political, ecological, cultural and particularly educational issues, is the reference to be achieved. We consider in this study the upheavals made by residents of the Indigenous Land Alto São Marcos (present in their narratives) as one of the key points to understand the environment in which they find themselves. In the construction of this line of understanding, studies on culture, anthropology of education and the notion of everyday life give support to the observations and analyzes here presented.

Keywords: Narrative. Education. Everyday School. Border. 


[1] Professor  do curso de Letras da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Mestre em Educação (UNISO-SP) e Doutorando em Estudos Literários (UFPA), mdmvale72@gmail.com.br
[2] Professor do programa de Pós-graduação da Universidade de Sorocaba-UNISO/SP

domingo, 4 de outubro de 2015

Foucaut tinha razão







Era uma tarde morna, como todas em Boa Vista-RR. Eu passava por uma das ruas de um bairro 'nobre' desta capital, quando me deparei com a imagem retratada acima. No muro de um terreno baldio, lá estava ela, destoando a formalidade que aquele bairro transmite.
Provocativa, demonstrava o tom subjetivo que levou o artista a manifestar sua indignação frente as provocações cotidianas que o capitalismo neoliberal nos traz.






É possível que nessa maneira de manifestar-se, não somente da frase construída e registrada na foto, mas também nas palavras do filósofo, possa ser entendido como um ato de resistência contrário ao capitalismo neoliberal criador das mais diferentes maneira para continuar excluindo e mantendo sua forma de controle.
Cabe indagar o que estaria por traz da afirmativa presente na frase "Foucaut tinha razâo?
Ao que ela nos conduz?
Faço esse levante, pois M. Foucault é, sem dúvida alguma, um dos nomes mais significativos do pensamento Pós-estruturalista.
Suas obras provocaram grande debates no meio acadêmico. Desde a “História da Loucura” à “A História da Sexualidade”, que apesar de terem ficado inacabada em função de sua morte prematura; podem ser referendadas no campo da Filosofia do Conhecimento. 
Contudo, antes a estas, com apenas 28 anos de idade, publicou “Doença Mental e Psicologia”. 
Mas,  sua produção intelectual só ganha força com “História da Loucura” (1961), resultante de sua tese de doutorado defendida na Sorbonne. Nessa obra o filósofo explora questões que o teriam conduzido, nos séculos XVII e XVIII,  estudar a situação de marginalidade com que eram tratados aqueles e daquelas que eram apontados como desprovidos da capacidade racional. 
Suas reflexões sobre as relações de poder, o saber e o sujeito foram inovadoras. Digo isto, pois sua abordagem a respeito destes temas transgrediram o pensamento da época, instaurando uma outra maneira de entendimento sobre questões que  movimentam os estudos de pensadores sobre a sociedade pós-modernas.
Essa  postura é inaugurada nas obras “Vigiar e Punir” e “A História da Sexualidade”, visto que passa a ser concebido como um dos grandes nomes do pós-estruturalismo. As 'relações de poder’ são amplamente abordada pelo filósofo, rompendo o tradicionalismo como é tratado pelo estado constituído, alongando o debate para a vida das pessoas e suas relações cotidianas. 
Dessa maneira, Michel Foucault firma que as relações de poder atuaria para além da função repressora, institucionalizada pelo estado, mas enquanto articulador de verdades e de saberes.
O campo de estudo do filósofo se fundamenta naquilo que de mais particular presentifica-se na cultura: a loucura, a Medicina, as Ciências Humanas e o 'saber'.
A trajetória de intensa produção científica (livros, ensaios, entrevista, etc.) é interrompida em junho de 1984, quando o agravamento da AIDS provocou seu falecimento. O filósofo francês teve uma trajetória de vida vinculada às lutras contra o preconceito, defendendo principalmente as minorias.
É possível que a frase nos aponte que as provocações de que foram reveladas  pelo filósofo ainda esteja e devam ser revistas ainda nos dias de hoje.   A frase seguinte nos demonstra a intensidade da reflexão de Foucoault:



quarta-feira, 9 de setembro de 2015

PROJETO: Sentiver - Inspiração, conteúdo e leveza




Há tempos venho tentando produzir algumas palavras sobre minha amiga. entre os tantos que construí durante  minha estada em Sorocaba, São Paulo. 
Conheci Carmem, pelo menos é assim que a trato, em 2012 nas aulas do curso de Mestrado em Educação, na UNISO/Sorocaba-SP, mais precisamente nas aulas da disciplina  Meio ambiente, cultura e vida cotidiana, ministrada pelo professor Marcos Reigota. Era lá que o grupo todo se encontrava, expunha seus trabalhos e ouvíamos uns aos outros em um exercício de resinificação de nossas pesquisa; mas, principalmente nossos projetos de vida e de acolhimento uns ao outros. Eram: eu, Carmem, Marta Catunda, Carmem Silva, Moura, Maurício Massari, Maria Aparecida, entre outros e outras que lá também se sentiam atraídos por nossas propostas de trabalho e pela maneira de como nosso orientador conduzia as orientandos.
Como não se sentir acolhido pelo sorriso de Carmem!?
Contávamos nossas histórias, viajávamos para eventos científicos juntos, compartilhávamos nossas angústias. Tudo com grande respeito, companheirismo e alegria. As vezes até mesmo tomar um cafezinho após as aulas era motivo para uma boa conversa.
Na época ela já confidenciava-nos que, anterior a esse momento teria desistido de prestar exame ao Mestrado para conhecer e viajar ao Chile. Coisa de artista! Eu ria de suas histórias e eles/elas riam quando eu contava as minhas, principalmente sobre a dificuldade de me ajustar aos horários, ao gosto dos alimentos, ao ritmo paulistano de viver.
Algo que ainda recordo com clareza era quando ela comentava de como conduzia suas aulas na escola em que trabalhava e da maneira como isso ressignificava o espaço educacional e o entendimento sobre o ensino de Artes na escola. Falava ainda de suas angustias de, em muitas vezes não ter sido bem interpretada por apresentar uma proposta pedagógica que destoava da maneira convencional e conteudista de ministrar tal disciplina. Dizia ela: "acho que as vezes eles pensam que eu sou maluca ou que tô inventando coisa pra não ministrar o conteúdo...rssss".
Juntos, caíamos na gargalhada!
As vezes o maior barreira não é exercitar os experimentos que nos propomos a fazer, mas nos apercebermos que estávamos, e ainda estamos, no caminho certo. 
Por toda essa alegre de Carmem, a época, escrevi um pequeno texto à ela; porém, deixarei o texto completo para um outro momento. Segue apenas um fragmento: 

"quando chegas
o sorriso invade nosso espaço
como o gosto bom de um copo com vanila (...)"

No vídeo acima você poderá conhecer um pouco do significativo trabalho de Carmem, o que rendeu a ela o Prêmio Victor Cevita/2013.
Nele, Carmem leva os alunos do 6º ano da E. E. Professor Benedicto Leme Vieira Neto, em Salto de Pirapora, a 130 quilômetros de São Paulo, a refletirem sobre a maneira como se movem. Inspirados na coreógrafa alemã Pina Bausch (1940-2009) e nos jogos teatrais desenvolvidos pela pesquisadora norte-americana Viola Spolin (1906-1994), os estudantes criaram coreografias com base em sua história pessoal e ocuparam, com sua intervenção artística, uma área verde da escola que não era usada até então.
E é assim, que mais uma de minhas interlocutoras, dá sentido a sua existência.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Carimbó de Marapanim: cultura e vida cotidiana







'Quando o meu povo fala...
poesia
Quando o meu povo canta...
melodias...
sonhos...
angústias
utopias.'
(Huarley Mateus)


A dança do Carimbó é tipicamente de roda. Originária do litoral do Estado do Pará, no Brasil, configura-se como uma das manifestações culturais representativas do cotidiano das pessoas moradoras das comunidades pesqueiras do litoral paraense.
O nome Carimbó faz alusão ao tambor de chão que é utilizado como instrumento musical para essa dança. Apesar de ter ganhado o gosto do povo das áreas urbanas é uma dança que originou-se entre o povo mais simples, moradores de pequenas comunidades de pescadores no litoral paraense. Muitos deste, filhos de indígenas com não índios, que herdaram as maneiras de compor músicas a partir das vivências cotidianas transmitiram-lhes através da tradição oral, Essa condição, frente a presença dos negros no litoral paraense fez com que a dança sofresse influências diretas, principalmente no vestuários dos dançantes
Ao longo dos anos os Mestres de Carimbó permaneceram em suas comunidades compondo e tocando as músicas que faziam. Atualmente isso tem ocupado o espaço público e em setembro  de 2014 o carimbó foi declarado patrimônio cultural e imaterial do Brasil. 
Há aqueles que dizem que por ter sido a música dos pescadores da ilha do Marajó, tenha atravessado a baia do Guajará, através das cantorias dos pescadores, chegando até a região de praias paraense. Contudo não há dados que confirmem isto.
Mais precisamente onde hoje é a cidade de Marapanim e Curuçá, o ritmo se solidificou, ganhando o nome que tem hoje. A pequena agrovila de Maranhãozinho, em Marapanim; e Ara-quaim, em Curuçá, reivindicam o título de berço do Carimbó. 
Não entro nesse mérito, pois acredito que o Carimbó representa muito mais que isto e está além do título de onde tenha surgido - se isso é possível de ser identificado! - e sim no significado que ela dá a existência das pessoas dessa região.

quarta-feira, 29 de julho de 2015


E se Jesus viesse à escola?



Do «professor», que é quem “professa”, transformando-se essa profissão em missão; que se transforma, se for um bom professor, em «mestre», até com «discípulos», qual líder religioso; à «cadeira» que ele lecciona e que corresponde a um lugar na hierarquia, a «cátedra», o lugar onde tem assento esse que “professou”, seja ele ou o bispo que reside e se senta na «catedral»; passando pelo que profere esse digno «mestre» na sua alocução máxima, a «oração» de sapiensia, nada parece escapar à herança religiosa no universo escolar.
Contudo, e como as palavras nos escapam pelos ouvidos sem que delas demos conta, hoje olhamos para o actual modelo escolar como se ele tivesse todo o tempo do mundo, sendo que, nessa sua forma actual, ele foi inventado há cerca de dois séculos, um muito-pouco-tempo na espessura da nossa civilização, tendo ido buscar ao modelo cristão o léxico que hoje em nada nos soa religioso. É que, de facto, as grandes estruturas de pensamento movem-se numa diacronia que não assenta no correr rápido dos anos ou das décadas, mas sim nos séculos longos em que as palavras das línguas vão ganhando matizes e recriando significados. Essa é a velocidade das estruturas de pensamento, das mentalidades.
E é nessa velocidade que a escola, por mais laica que ela nos pareça, é recorrentemente um lugar desejado pelo universo das religiões. E é-o pelo simples facto de que as religiões são mensagens e as mensagens são para transmitir, para resultar em ensinamento. Religião é comunicação e, por isso, é ensino.
E neste coincidente sentido, o da escola e o do religioso, o espaço da comunicação de saberes é o espaço, por excelência, para que se percebam todas as tensões e todas as coexistências entre ambos. A escola é, oficializada e tornada obrigatória, o mais importante normativador da nossa civilização. O que se veicula na escola é aquilo que enquanto colectivo achamos ser o fundamental da nossa identidade e da formação que queremos dar às futuras gerações. Sim, é como se de um “saber oficial” se tratasse.
Sendo o terreno por excelência da transmissão de conhecimento e de identidade, a religião não poderia estar fora dele. E nunca o estaria porque muitas temáticas tratadas na sala de aula se cruzam com aspectos religiosos. Mas cruzam-se ainda porque herdámos uma tradição muito forte de as religiões terem, de facto, um espaço escolar de ensino.
Assim se tem passado em Portugal ao longo do período democrático, não se tendo entrado em ruptura com a herança do Estado Novo. A uma disciplina obrigatória formulada e leccionada pela Igreja Católica, o regime democrático apenas acrescentou a sua não obrigatoriedade, primeiro, e estendeu, depois, essa possibilidade escolarizada a outras confissões.
De forma bem diferente, muito da restante Europa seguiu outros caminhos na viragem de século. Não só a erosão das identidades religiosas tradicionais levou a que deixasse de fazer sentido um monolitismo religioso na escola, como a própria diversidade crescente do tecido social fortaleceu a necessidade de se abandonar um paradigma de claro favorecimento das confissões que conseguiam ter meios para tomar conta dessa prorrogativa de ter um espaço lectivo na escola dedicado aos seus crentes.
A multiplicidade religiosa que se generalizou na Europa levou a que se equacionasse um campo de saberes plurais que ajudassem os alunos a compreender o seu mundo e não apenas a fortalecer a sua identidade religiosa. Mais, o modelo confessional nem sequer já é significativamente válido para as religiões e confissões maioritárias na medida em que se tornaram diminutos os valores de adesão a essas turmas de natureza confessional – situação que hoje se passa em Portugal.
A esta transformação da realidade interna se juntou o olhar internacional e os desafios que a política e os média constantemente lançam sobre os nossos jovens através de um crescendo de tensão em torno do radicalismo religioso e do terrorismo. A religião é hoje omnipresente nas produções televisivas, trate-se de ficção ou de documentário ou jornalismo.
Numa sociedade plural, livre e que fomente o respeito pela diferença, possibilitando aos seus cidadãos uma tomada de decisão assente em visões de rigor, implica um regresso à escola. Longe do modelo português, hoje muitos países desenvolveram modelos de ensino em que a diversidade religiosa e as múltiplas dimensões da religião e da espiritualidade são levados aos alunos sem sentido confessional, mas como parte de uma formação integral de cidadania.
Seguindo esta necessidade cada vez mais consensual na nossa sociedade, acaba de lançar um projecto pedagógico e cívico destinado a fornecer ao universo escolar materiais e debates que enriqueçam os nossos educandos com uma visão plural e complexa desse fenómeno sem o qual é impossível compreender o nosso mundo, seja-se religioso ou não.
Parte fundamental desse projecto é a formulação de uma disciplina sobre «Religiões do Mundo» que será já no próximo ano lectivo, levada à sala de aula na escola Os Aprendizes, em Cascais. Com esta disciplina pretende-se, não apenas fornecer aos alunos os elementos, os conhecimentos, sobre religião, mas também abrir as portas da sua vida às dimensões de espiritualidade que tão afastadas se encontram das prioridades num mundo onde os valores parecem plenamente secundarizados.
E, exactamente, neste sentido, mais que “dar matéria”, mais que uma História das Religiões, esta cadeira de «Religiões do Mundo» irá ajudar os educandos a compreender as dimensões interiores do fenómeno religioso enquanto dimensão essencial na definição do Homem na maioria das culturas, fomentando um lado experiencial no contacto com as religiões e as espiritualidades. Sim, porque conhecer as religiões, num sentido positivo, não basta. É necessário compreender o valor das suas dimensões espirituais, a chave para se aceder ao que, de facto, distingue a religião de outra qualquer actividade de pendor meramente social.
Neste sentido, a transversalidade deve ser o principal elemento desta equação. Todos os jovens carecem de formação sobre religiões e espiritualidades. Sejam de famílias religiosas, ou não. Porque mesmo para os jovens com formação e prática religiosa, um âmbito disciplinar como o apresentado leva a um melhor conhecimento das especificidades da sua fé e a um respeito pelas fés diferentes.
Não pode ser de simples saber livresco que se fundamente este campo disciplinar. Ao falar de Liberdade, Fernando Pessoa dizia sobre Jesus que não “consta que tivesse biblioteca”. É verdadeiramente aqui que reside o cerne: não é só com livros que se consegue conhecer. A palavra francesa ajuda-nos a perceber melhor o que está em jogo: connaître = con+naitre, “nascer com”. Só se conhece se, de alguma forma, se nascer com aquele que se pretende conhecer.
Neste final de ano lectivo, esperamos que este seja um primeiro passo, dado de forma inovadora e pioneira, para que aos nossos alunos chegue um conhecimento isento, fomentado no respeito pelo outro, e que nos permita ter uma cidadania mais activa e esclarecida.
Que mais escolas se juntem a este projecto-piloto!
Paulo Mendes Pinto, director da área de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona
(http://lifestyle.publico.pt/religiaonacidade/351514_e-se-jesus-viesse-a-escola), Acessado em 29/07/2015.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Movimento Roraimeira: expressão artística na amazônia brasileira



O que se conhece por Movimento Roraimeira tem suas origens na década de 1980. Segundo seus idealizadores, este movimento tem forte influência do Movimento Modernista e do Movimento Tropicalista ocorrido no Brasil a partir de 1922, respectivamente. Se assim for, eu arrisco um comentário: seria, então, o Movimento Roraimeira, um "modernismo tardio na/da Amazônia". 
No documentário acima, podemos observar uma das finalidades a qual esse grupo de artistas se propõe: promover a beleza estética das riquezas naturais do estado de Roraima, da vida na região amazônica e sua dinâmica social contemporânea. 
É fato que muitos estudiosos tem demonstrado interesse em estudar esse movimento cultural; alguns destes tem enfocando os aspectos sócio-culturais para debater a respeito da identidade regional.
Devo ressaltar que hoje, quando se fala em Movimento Roraimeira, é necessário ser apontado não apenas para um grupo de artistas que assumem a beleza estética amazônica como pertencimento. Penso que ele ganhou uma dimensão artística, cultural, política e social que está para além de Eliakin, Zeca e Neuber, apenas. Acredito que sua fase de resistência e afirmação cultural ganha outra dimensão. Hoje sua contribuição é fundamental para se pensar o que é produzido enquanto arte e, mais especificamente sobre a vida cotidiana na/da Amazônia.
Para não me alongar tanto, prefiro que você ouça, do Trio Roraimeira, as observações que eles mesmo formaram sobre suas vivências e experimentos sobre a dinâmica sócio-cultural amazônica.

domingo, 28 de junho de 2015


Sobre Marcos Reigota.

Em fins do ano de 2010. Apresentei uma proposta de dissertação de Mestrado à UNISO - Sorocaba/SP. Era resultante de longa caminhada e vivências de pesquisas em comunidades da Amazônia brasileira. Havia escolhido esta universidade por recomendação de um grande amigo de militância nos movimentos sociais quando de minha juventude no Pará, Oswaldo Piedade. A decisão tornou-se mais forte ainda quando constatei que lá estava uma das referências que utilizávamos para aprofundar os debates por uma sociedade mais justa e menos excludente.  
A proposta que apresentei apontava sobre o cotidiano das escolas presentes nas comunidades indígenas do Alto São Marcos-RR e sua dinâmica na fronteira Brasil/Venezuela. O contato linguístico, a dinamização cultural, o forte comércio alavancado pela presença dos Chineses e Árabes; e toda a efervescência da região de fronteira da Panamazônica brasileira foi acolhida pelo professor Marcos Reigota. 
Durante o curso, muito do que havia lido em suas obras fora ampliado, pois presenciava, não apenas o Professor, mas o Ser Humano, Sujeito da História. Foi um período de produção científica intensa; contudo, não é tão simples assumir uma postura política e social como a que construímos no grupo de pesquisa coordenado por ele. Digo isto, por ter plena convicção do enfrentamento que isso  causa no pensamento "politicamente correto" que ainda transita no espaço publico brasileiro, e não só. E é essa postura, da contra-corrente latino americana, que também dá sentido a minha existência,
Bem, mas quanto a este assunto, prefiro não alongar e deixá-lo para um outro momento. 
Sobre a trajetória e o significado que o Professor Marcos dá a sua existência, sugiro visitações em sua extensa produção científica, assim como às de nossos interlocutores.